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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quero ficar

Não te vou deixar
pois quero ficar
aqui contigo.

Deixa-me ficar, meu amor,
esta noite, a próxima madrugada.
Deixa-me ficar, minha flor
até à milésima madrugada.

Reentrada

Reentras-te na minha vida como um raio de sol
que ofusca, que aquece, que incendeia,
que reacende as cinzas, que encadeia.

E o amor que julgava já se ter dissipado
com o tempo e as cinzas da vida
reacendeu as memórias do passado
e deixou-me completamente perdida.

E embora nunca te ter esquecido
e de ainda te amar intensamente
só posso lamentar te ter perdido
e não poder ficar contigo novamente.

Não posso

Não te posso dar mais que o meu ansejo,
as minhas lágrimas, o meu desejo,
o meu coração, a minha verdade,
a minha memória, a minha saudade.

Não te posso dar mais que o meu abraço
do que o calor da minha voz
do que o som do meu espaço
do que esta distância atroz.

Não te posso dar todo o meu amor,
o meu abraço, o beijo prometido,
o meu corpo ou o meu calor
nem meu coração louco e perdido.

Madrugada

Estava escuro. Chovia.
Já era tarde. Madrugada.
O carro soluçava. Tremia.
Minh`alma sucumbia. Ensonada.

Lembro-me de adormecer. Cansada.
E de uma luz...
Depois mais nada.
Nada. Nem uma luz...

Ainda aguentei, na despedida.
Depois parti, já conformada.
Ganhei asas e uma nova vida
e esqueci a fatídica madrugada.

Novembro resfriado

Estamos em pleno Outono resfriado
e só agora a chuva sussurrou
ao ouvido do castanheiro emproado
as palavras que o vento recitou.

E eis que surge urgindo a tempestade
agoirando uma longa noite de maldição
ordenando às chuvas ferocidade
e aos ventos maldade e punição.

E eis que alguém a meu lado
atiça com lenha a fogueira
e ensopa o meu corpo encharcado
em pleno Novembro resfriado.

Sei que virás

Uma vez mais
perdi-me...
Mas, eu sei
que um dia
tu virás.
Por isso, não choro,
não lamento.
Apenas espero.
Sei que virás.
Disseste-o um dia.
Sei que me encontrarás.

Preciso

Preciso mesmo de ouvir a tua voz
de sentir as tuas mãos em mim,
de reacender o que havia entre nós
de te beijar vezes sem fim
e de te amar, simples assim...

Preciso de ti sempre ao meu lado
para ao ouvido me dizeres " Eu amo-te"
ou simplesmente "Estou apaixonado".

Acordei sem ti

Sonhei contigo
e acordei sem ti.
Como isto é cruel !
Onde estavas quando despertei ?
Serias um delirio que inventei ?
Acordei sem fôlego
chamando por ti.
Chmando por um homem
que não existe,
um homem que idealizei
no calor da noite
triste.

Amar no passado

Amei-te.
Sim, desejei-te.
Amei cada lágrima,
cada toque, cada canção,
cada silêncio,
cada intuição.
Amei-te
Sim, conquistei-te.
Amei cada soluço
cada carícia, cada perdão
que entoava a sede,
o beijo dessa insatisfação.

Amo-te já

Amo-te já
Penso em ti
Sonho contigo
Grito por ti
Onde estás?
És tu o todo
que rclamo?
Serás tu o homem
que eu amo ?
Ou és simplesmene a cega visão
de um coração também cego
que nos teus lindos olhos
se perdeu num sonho imortal?

Escuridão

Está tão escuro aqui
estou tão só...
estou tão perdido
tão incompreendido.
Ninguém vem...
Ninguém.
Estou sózinho,
abandonado.
Triste e desgraçado.
Enlouquecido.
E tu, porque não vens ?
Eu dei-te a minha vida,
o meu suor, o meu amor.
Dei-te a minha alma proibida
e o meu instinto protector.
Estou tão só aqui.
Tão esquecido.
Tão ferido.
Tão carente de ti.

Esperarei por ti

Esperarei por ti mil anoiteceres,
Mil sois, Mil madrugadas,
Mil luas, Mil amanheceres,
Mil auroras, Mil trovoadas.
Esperarei por ti toda a vida
e embora só e incompreendida
frágil, só e perdida
estarei aqui quando apareceres...

Os que me julgam

Alguns julgam-me para sempre perdida,
alguém sem chama, sem vida.
Dizem que sou fraca, vulnerável,
que sou amarga, desprezível.
Que não tenho sonhos, ambição
que estou condenada à solidão.

Alguns julgam-me inerte, adormecida
alguém sem chama, pobre foragida
chamam-me de louca, de orgulhosa,
de mulher cruel e perigosa.
Dizem que sou a maligna profecia
que se irá cumprir um dia...

Poeta já fui

Poeta já fui e morri antes de o ser
Os versos que escevi secaram por esperar.
Ninguém os viu, ninguém os leu, azar,
nem sei porque de facto os quis escrever.

Queimaram-nos o tempo, a espera, o entardecer,
a louca epopeia, o estranho álbido luar.
Fugiram com o vento numa dança invulgar
e na garganta do sol lá foram morrer.

Fui poeta e ninguém o sabe ... ninguém.
Olham para mim e não me veêm...
Falam comigo... não me ouvem também.

Não veêm que fui poeta lá longe, outrora
e não entendem pois simplesmente não creêm
que a poesia vive em mim, que lá mora! ...

Nós

Nós juntas
Quem somos ?
O que pensamos ?
O que sonhamos ?
O que queremos ?
Diz-me, amiga,
Nós quem seremos ?
O mar, as estrelas,
o luar, o vazio
ou simplesmente nós ?
Seremos a maré,
o céu cinzento
o pior tormento
ou o que não é ?
Tu és a nuvem,
eu a tua sombra.
Eu sou o além,
Tu o medo que assombra.
Somos nós...
O ecoar de um trovoão.
Eu e tu,
nós,
o Sol da escuridão.

Deusa da penumbra escuridão

Sou a Deusa da penumbra escuridão,
da pálida e azeda madrugada
nascida dum fragmento de aparição
miraculosamente desalinhada.

Procuro lágrimas e saudades,
mágoas, gritos e dores.
Alimento-me das imoralidades
dos milhares de pecadores.

Adquiri o dialecto da morte
e herdei a fúria das trovoadas
a crua ambiguidade da sorte
e a insensatez das madrugadas.

Força perdida

Eu quero
mas, não posso.
Eu desejo
mas, não consigo.
Apenas as lágrimas vazias
cegando-me a visão
dizem-me que sou alma castigada
pelo Comandante desta vida.
Eu imploro,
eu desejo essa minha força,
aquela que perdi a soluçar
e que agora chora iludida
dizendo que não vai voltar.
Volta, força divinal,
eu preciso de novo me erguer
se não voltas serei dominada
pelo mar de sangue impiedoso
que no meu peito está a nascer.
Acenas-me...
Eu vejo-te...
Sorri-te...
Respondeste-me...
Estendi-te a mão...
Recuaste...
Gritei por ti...
E nas águas da eternidade desapareceste...

Fui

Aqui fui homem e amante
Fui catraio, poeta, trovador.
Fui algoz, cavaleiro-andante.
Fui ateu, romeiro e sonhador.

Aqui fui Mensageiro do Amor,
Fui proscrito Versejador.

Imortalidade

Morri ...
Hoje regressei.

Sou pequeno.
Choro e mamo.
Quero falar
mas, não consigo.
Eu sou outro,
não me reconheço.
Onde estou ?
Porque voltei ?

Morri...
Sou outro alguém.

Ninguém me ouve.
Ninguém me compreende.
Sou pescador. Morri no mar.
Porque é que estou a chorar ?
Estas mãos muito pequeninas ...
Lamento, mas não são minhas.

As minhas perdi no mar...

E porque é que Deus me fez voltar? ...

Lembrança

Senti-te
apenas uma vez
mas, ainda me lembro
como te amei,
quanto te desejei.
Lembrar-te-ás de mim
ou fui apenas a fagulha
de um fogo extinto?
Só sei que para mim
foste o ronco
do meu peito
que ainda hoje sangra
de saudades
do teu jeito

In aeternum

Olá !
Criei este espaço para divulgar alguns dos meus poemas a pedido de muitos dos meus amigos!
Não sei se tenho de facto talento ou se algum dia irei ver a minha obra publicada mas, de facto escrever poesia é aquilo que mais gosto de fazer.