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domingo, 9 de maio de 2010

Tudo isto

Tudo isto
é um nada
entre reticências.
É um mar
que engole a alvorada
da tua inocência.
É um olhar de mágoa
condensada.

Isto é tudo o que temia
Isto é...
Uma aragem agreste e fria,
uma espécie de ventania,
uma tortura, uma agonia.

Eis mais um poema de mágoas

Eis mais um poema de mágoas,
lágrimas, tristeza e nostalgia
que termina nas inquietas águas
da minha inquieta agonia.

E é nessas inquietas águas
que os meus versos se interrogam
E é nessas malditas mágoas
que os meus sonhos se afogam.

E eis que a alma destes meus versos
mergulha nos pesadelos submersos
e nas águas onde todos falecem.

E assim termina a minha Utopia :
com mágoa, tristeza e nostalgia
e com agoiros que me entristecem.

Os que me julgam

Alguns julgam-ne para sempre perdida,
algém sem chama, sem vida.
Dizem que sou fraca, vulnerável,
que sou amarga, desprezível,
que não tenho sonhos, ambição,
que estou condenada à solidão.

Alguns julgam-me inerte, adormecida
alguém sem chama, pobre foragida.
Chamam-me de louca, de orgulhosa,
de mulher cruel e perigosa.
Dizem que sou a maligna profecia
que se irá cumprir um dia...

Quis

Quis ser tudo o que não sou, apenas isso
tornar-me outra pessoa, sair de mim
reencarnar em outro corpo, morrer enfim
e anular quem fui, esquecer-me disso.

Quis ser quem não sou, sombra, feitiço
quis ser o sol brilhante, trovão ruim
ou até mesmo imaculado querubim
ou a pura insensatez de um compromisso.

Mas, fiquei sendo eu, nada mudou
a mesma fraca que a vida ceifou,
a mesma vaga que o mar engoliu...

Continuo a ser esta mulher intraduzível
de feitio ingrato e desprezível
que a vida esqueceu e retraiu...

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Porque cai a chuva ?

Porque cai a chuva ?
Porque chora o vento ?
Porque grita a noite ?
Porque está cinzento ?
Porque as nuvens correm ?
Porque ondula o mar ?
Porque o céu ressoa ?
Porque amarga o ar ?
Porque os ramos dançam ?
Porque as folhas caem ?
Porque o medo espreita ?
Porque os anjos saem ?

Nesta terra que amei

Nesta terra que amei, em que nasci
quis o destino levar-te assim de mim
e agora sob os lugares onde brinquei e cresci
descansa o teu corpo, decompondo-se assim.

Nesta mesma terra onde o amor descobri
de uma forma tão simples, tão forte enfim,
quis Deus que fosse a mesma onde perdi
o homem que mais amei, principio e fim...

Agora, da janela onde outrora nos amavámos
só vejo o vazio de uma vida quase sem nada
e as cinzas dos muitos beijos que trocávamos.

Nada nesta terra me faz sorrir... só as memórias
de ti, de nós, da nossa paixão assolapada
e das imagens lindas da nossa história...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Quero ficar

Não te vou deixar
pois quero ficar
aqui contigo.

Deixa-me ficar, meu amor,
esta noite, a próxima madrugada.
Deixa-me ficar, minha flor
até à milésima madrugada.